Vou te contar alguns fatos sobre mim e o que você pode esperar dos meus livros…

1. Fã do Sai de Baixo

Enquanto a maioria dos amigos aguardavam o sábado para se divertirem nas festas, eu esperava o domingo à noite para assistir ao Sai de Baixo. Era fã nível fã-clube, de gravar os episódios em VHS (vocês sabem o que é videocassete?) e vasculhar os jornais velhos dos vizinhos para guardar matérias sobre o programa. Até me arrisquei como webdesigner só para criar um site sobre ele. O formato “teatro filmado” me encantou, assim como o estilo de humor do Sai de Baixo. Foram seis anos ininterruptos dedicados ao programa e considero a minha pós-graduação em sitcom. ^^

2. Teatro

Quando o Sai de Baixo acabou, em 2002, eu tava fascinado com a ideia de trabalhar com teatro filmado/sitcom. Então optei por cursar Direção Teatral na UFRJ. Lá, tive a oportunidade de conhecer um pouco da obra dos grandes dramaturgos e pensadores de teatro.

Mas não trabalhei profissionalmente como diretor. Durante o curso comecei a escrever esquetes, peças para os amigos e entendi que a minha vocação era para a dramaturgia. Meus livros têm muitas referências à linguagem teatral e isso se reflete até na forma como apresento os diálogos – com mais cara de roteiro do que literatura.

3. Também sou muito noveleiro!

Então vocês podem esperar nos meus livros altas doses de melodrama e aqueles ganchos de final de capítulo.

No Doiscincomeia eu abuso dessa linguagem!

4. Personagens LGBTQ+

Nos anos 90/2000 fiz muito drama até assumir a minha sexualidade. Pra piorar, não encontrava histórias (principalmente nos livros) que retratassem os meus desejos e conflitos. Então, com certeza você encontrará representatividade e protagonismo lgbtq+ nas minhas histórias. Dá uma lida nesse depoimento sobre Fake, o meu primeiro romance. Aprofundo um pouco mais o assunto.

5. Internet

Vivo uma relação de amor e ódio com as redes sociais, mas já desenvolvi alguns projetos pensando na dramaturgia para a internet. Logo que me formei, criei o site Drama Diário, que reuniu dramaturgos cariocas. Também tive destaque com o perfil de humor no Twitter @donaheliodora – uma senhora irônica e mal-humorada em homenagem à crítica teatral Barbara Heliodora.

Inspirado na Dona Heliodora, desenvolvi a série Lady Shakespeare, a minha primeira sitcom (olha o Sai de Baixo aí!). A Marcia Cabrita participou da leitura do episódio piloto, então vocês podem imaginar a minha euforia!

6. Ô loco, bicho!

Lady Shakespeare ganhou um prêmio da Secretaria de Cultura do Rio e logo em seguida fui contratado pela TV Globo para trabalhar no Domingão do Faustão – adaptando e criando novos formatos para o programa. Gratidão imensa ao Marcio Trigo, Alex Medeiros, Gustavo Gontijo e, especialmente, Luciana Cardoso, por apostarem tanto em mim. <3

Em 2020, escrevi o roteiro de dois especiais do Domingão que eu amei: É o Tchan e Infantil.

7. Humor irônico e familiar

Amo escrever comédia, principalmente com deboche e ironia. O Mauro Rasi é meu dramaturgo favorito e ele é mestre em escrever diálogos carregados de humor e drama familiar. Assim como o Miguel Falabella fez em A Partilha. Sou apaixonado por textos assim. É como reunir a família num almoço de domingo e pronto… um pé de jabuticaba do vizinho vira uma guerra.

8. Protagonismo feminino

Embora Fake tenha um homem como protagonista, tenho mais facilidade para escrever personagens femininas. No teatro, as 3 peças que escrevi são monólogos femininos: Meu Caro Amigo, Chuva de Arroz e A Bronca de Neve.

9. Cultura nacional

Já morei em São Paulo e no Rio de Janeiro. Só no Rio foram 10 anos e morei na zona sul, oeste e zona norte. As inúmeras resenhas sobre Fake destacam que a história se passe no Rio, em cenários que fazem parte do cotidiano dos leitores. Assumir a nossa cultura, os nossos lugares, além de ser fundamental, também muda tudo na vida de um personagem, né? O Téo não seria o mesmo se não morasse na zona norte ou se o Edifício 256 não estivesse na Lapa.

10. Literatura com uma pegada cinematográfica

Como a minha experiência vem do teatro e do roteiro, sempre escrevo pensando em ser encenado ou filmado. Imagino os atores dizendo as falas dos personagens (a tia Eleonora eu escrevi imaginando a Andrea Beltrão!) e como seria aquela cena num filme, série ou novela. Tento passar para quem lê minhas histórias a sensação de que está assistindo um filme.